
DE QUE MATÉRIA SÃO FEITAS AS MÃES?
"Com palavras tenho asas que me levam a voar com palavras vou tão longe quanto o sonho me levar." José Fanha



AUTOPSICOGRAFIA ( Fernando Pessoa) O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, na dor lida sentem bem, não as duas que ele teve, mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda gira , a entreter a razão, esse comboio de corda que se chama o coração. |
ISTO (Fernando Pessoa)
Dizem que finjo ou minto
tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
com a imaginação
não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
o que me falha ou finda,
é como um terraço
sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
do que não está ao pé,
livre do meu enleio,
sério do que não é.
Sentir! Sinta quem lê!
SER POETA (Florbela Espanca)
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
do que os homnes! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Álem Dor!
É ter mil desejos e o esplendor
e não saber se quer o que se deseja.
É ter cá dentro um astro que flameja,
é ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E, é amar-te, assim, perdidamente...
E seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
PERDIGÃO PERDEU A PENA (Luís Vaz de Camões)
Perdigão perdeu a pena
não há mal que não lhe venha.
Perdigão que o pensamento
subiu a um alto lugar,
perde a pena de voar,
ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
asas com que se sustente;
não há mal que lhe não venha.
Quis voar a uma alta torre
mas achou-se desasado;
e vendo-se depenado,
de puro penado morre.
Vamos ver, pé antepé, em silêncio, com cautela. Quem será? Afastamos a cortina da janela e que espanto, quase susto! Do outro lado do vidro, um espectáculo colossal: é o sol, o brilho e o céu; são as flores e as ervas verdes; é um bando de andorinhas que esvoaçam como loucas.
Olha, olha aquela andorinha
"Escrever é comover 
Os motivos para dizer P.S.:Amo-te!
Tenho saudades tuas!
Não te esqueças de mim!
Escreve depressa.
Consegui o emprego!
Estás sempre comigo!
Volta logo!
Tem cuidado!
Já li o livro que me ofereceste. Adorei!
Traz-me chocolates!
Há livros que nos tocam
Era uma vez um livro de histórias cheio de letras como todos os livros. estava guardado na prateleira de uma estante, num armário ao fundo de uma casa e há muito tempo que ninguém lhe pegava para o folhear e o ler.
Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse. Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em plena harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro. Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo por outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássao. E sentiu-se sozinha. E pensou : "Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais." O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola. Todos os dias ela olhava o pássaro. ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o às suas amigas, que comentavam: "Mas tu és uma pessoa que tem tudo." Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio - e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola. Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens. Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico. Sem o pássaro, a sua vida também perdera o sentido, e a morte veio bater à sua porta. "Porque vieste?" perguntou à morte. " Para que possas voar de novo com ele nos céus", respondeu a morte. "Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, amá-lo-ias e admirá-lo-ias ainda mais; porém, agora precisas de mim para poderes encontrá-lo de novo." |

Era uma vez um camponês gordo e feio que se tinha apaixonado (porque não?) por uma princesa bonita e loira... Um dia, a princesa - vá lá saber-se porquê - deu um beijo ao camponês gordo e feio... E, magicamente, este transformou-se num príncipe esbelto e ataviado. (Pelo menos, era assim que ela o via...) (Pelo menos, era assim que ele se sentia...) |